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Autoestima: inicie o resgate da sua

Quando se fala em autoestima, grande parte das pessoas restringe o conceito a aspectos corporais, o que em parte não está errado, porém o conceito é amplo para ser olhado somente através da perspectiva física. Isso faz com que outros elementos, considerados importantes, sejam deixados de lado. Além da questão corporal, deve-se considerar também a perspectiva do trabalho, afeto, cognição e relações sociais.

A autoestima começa a desenvolver-se na infância.  Ao observar uma criança, pode-se chegar à conclusão de que, na maioria das vezes em que é elogiada, ela volta a ter o comportamento que fez com que ela recebesse reconhecimento. Ainda que o adulto pare de olhar ou elogiar, a criança pode continuar buscando algum tipo de retorno, seja observando o adulto para ver se ele ainda continua prestando devida atenção, ou até mesmo mostrando concretamente o que está fazendo, em busca de reconhecimento.

Uma pessoa que na infância teve um histórico de poucos reforços positivos e com pouco retorno por parte de seus principais cuidadores, pode desenvolver muito mais chances de uma relação ruim com sua autoestima comparada a uma criança que foi reforçada devidamente. Não se trata dos cuidadores elogiarem o tempo todo, mas sim em reforçar os comportamentos considerados positivos, para que sua segurança aumente e consequentemente sua autoestima também.

Tanto a autoestima alta, quanto a baixa autoestima, podem trazer consequências no seu dia a dia. Pessoas com a autoestima baixa, podem isolar-se, pois comparam-se o tempo todo com os outros, sentindo-se inferior. O sentimento de inferioridade pode fazer com que o indivíduo deixe de praticar alguns hábitos, esquivando-se de seus contatos sociais, empobrecendo a sua convivência com o mundo externo. Por outro lado, pessoas com uma autoestima elevada demais, tendem a enxergar as coisas de forma desproporcional, ocasionando também conflitos com o meio e problemas com a discriminação de contextos. O ideal é achar um ponto de equilíbrio e gostar de si, enxergando as coisas como de fato elas são.

Buscar um ponto de equilíbrio até parece fácil em um primeiro momento, mas não é. Além de todo histórico familiar e de reforços ao longo da vida, é preciso mudanças na forma de pensar e é muitas vezes neste ponto em que encontram-se as dificuldades. As mudanças de pensamentos vão de encontro com o que o indivíduo costumou ser ao longo da vida, com suas crenças e regras pessoas. Ir na direção contrária pode necessitar de uma ajuda terapêutica.

Existem várias formas de trabalhar a autoestima, e isso é diferente para cada pessoa, no geral pode-se dizer que o autoconhecimento é uma das principais bases.  Dificilmente poderá obter-se grande parte do controle em relação ao comportamento alheio, mas pode-se trabalhar para que consiga uma reação ao que se recebe do mundo externo da melhor forma. Conhecer seus limites, os seus gostos, a origem deles e saber o  motivo pelo qual a pessoa age de determinada maneira, implica em um autoconhecimento adequado, que resulta em uma autoconfiança e consequentemente em uma autoestima equilibrada.

O meio externo pode contribuir de forma positiva ou negativa para construção / manutenção da autoestima, através do autoconhecimento é possível ter mais repertório para receber críticas da melhor maneira. Relacionamentos abusivos são uma arma contra a autoestima, pois podem fazer com que a pessoa que sofre o abuso apresente distorção da visão sobre si pde tanto o outro repetir coisas negativas. O Bullying também aparece com um fator de risco para o desenvolvimento, quando o nível de autoconhecimento é baixo os estigmas alheios soam como verdade absoluta.

Pode-se dizer que quem possui baixa autoestima costuma “pagar adiantado”, ou seja, a pessoa faz coisas com o intuito de receber elogios, suas ações são voltadas para os outros e não para si, desta forma ao receber a contribuição das pessoas, a autoestima é saciada momentaneamente, não trazendo benefícios em longo prazo.

Provavelmente você conhece uma ou mais pessoas que se queixam em relação à autoestima. Infelizmente pode-se dizer que tal conceito não é novo, mas em tempos atuais é uma queixa recorrente. Pais ocupados demais para reforçar os filhos, quando estes merecem tais reforços. As redes sociais que servem também como modo de comparação, visto que pessoas costumam ostentar uma vida que muitas vezes não possuem , fazendo com que quem tem dificuldades em gostar de si, compare sua vivência com vidas que sequer existem além do aparente.

Lembre-se: a autoestima é um conjunto de elementos, fazer uma leitura das áreas separadamente é uma forma de obter uma visão mais detalhada para se ter noção do que está em déficit. Não somos totalmente responsáveis pela forma como as pessoas nos atingem, mas em meio a dificuldade de encarar tais fatos somos responsáveis para trabalhar uma melhor forma de lidar com isso.