China e Brasil têm os bancos centrais mais verdes do mundo, dizem ativistas

FRANKFURT: A China tem o banco central mais verde do mundo, seguido pelo Brasil, ambos ultrapassando os países mais ricos graças a medidas concretas como taxas de juros mais baixas em empréstimos para projetos de combate à poluição, disse um grupo de ativistas na quarta-feira (31 de março).

O grupo de campanha do Reino Unido Positive Money classificou os bancos centrais e supervisores financeiros nos países do G20 com base no quanto eles estão fazendo para combater as mudanças climáticas.

Apenas três deles conseguiram passar: China, Brasil e França.

Os resultados podem surpreender alguns, já que a China, que obteve a maior pontuação no relatório, é um dos maiores poluidores do mundo e o Brasil tem enfrentado críticas por destruir partes da floresta amazônica.

Mas os autores do estudo disseram que os formuladores de políticas financeiras em ambos os países agiram mais cedo precisamente porque enfrentaram ameaças ambientais maiores.

“Isso torna os impactos e riscos ambientais mais imediatamente visíveis e relevantes para seus banqueiros centrais e supervisores, e pode resultar em um ímpeto maior para tornar seus processos de formulação de políticas mais verdes”, disse Positive Money.

Por exemplo, a primeira iniciativa verde do Banco Popular da China data de 1995 e os bancos agora são obrigados a oferecer empréstimos mais baratos para projetos verdes, de acordo com o relatório.

O Brasil se destaca por restringir financiamentos para expansão de lavouras na Amazônia e outras regiões vulneráveis.

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A França, que em grande parte deriva sua política monetária e regulamentação financeira da União Europeia, por pouco superou seus pares da UE para o terceiro lugar graças aos pontos extras ganhos por meio de seu próprio teste de estresse climático de grandes bancos e seguradoras.

Isso se soma às medidas tomadas pelo Banco Central Europeu, que começou a exigir que os bancos levassem em conta as mudanças climáticas ao conceder empréstimos e está considerando adotar um viés verde em suas compras de títulos.

O relatório se concentra principalmente na política oficial e não reflete a eficácia na implementação.

SEM CONSENSO

O papel dos bancos centrais no combate às mudanças climáticas é o assunto de um debate global cada vez mais animado, mas até agora não há consenso sobre o caminho a seguir.

Um relatório de um grupo de 89 instituições divulgado na semana passada descobriu que todas as opções de política – como distorcer o financiamento do banco central para beneficiar emissores verdes ou punir os poluidores – têm desvantagens.

Uma questão importante é que o engajamento na política climática levantaria questões sobre duas vacas sagradas das últimas três décadas: a independência do banco central da política e seu foco determinado na inflação, junto com alguns países com empregos.

Na verdade, o banco central chinês não é independente de seu governo, enquanto o do Brasil acaba de ganhar autonomia.

A Positive Money defendeu o abandono de tais escrúpulos porque os custos da inação seriam mais severos e pediu que os fundos para poluidores fossem cortados.

“Visar ativos mais arriscados e ambientalmente prejudiciais, como aqueles ligados à extração de combustíveis fósseis, para excluí-los das operações de política monetária e limitar ou penalizar fatores na política prudencial seria um primeiro passo importante”, disse o relatório.

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